Estou publicando um texto escrito por mim em Julho/2005 que ainda não tinha sido publicado neste blog!
A Cruz e o Marketing
Iverson T. dos Santos
Que Deus abençoa a sua vida!
Iverson
09/07/13
Iverson
09/07/13
A Cruz e o Marketing
Iverson T. dos Santos
Curitiba,
29/07/05.
Ontem fui jantar com dois amigos que como eu trabalham na
área de Marketing. Entre uma mordida e outra discutíamos o aspecto moral e
filosófico da nossa área e entramos na velha discussão dos marketeiros e dos
críticos do marketing. O marketing cria ou não necessidades?
A
responsabilidade do Marketing é criar produtos e soluções para as necessidades
humanas. Mas quem cria as necessidades humanas ?
Eu
e o amigo A, batíamos na tecla que o
marketing cria necessidades para depois vender soluções para as necessidades
por ele mesmo criada.
Ora,
hoje em dia ninguém mais vive sem celular, ninguém mais vive sem e-mail, etc e
etc. Somos mais felizes ou menos felizes
dos tempos de antigamente em que não tínhamos tais produtos e serviços ?
Já
o colega B, argumentava que o Marketing não cria as necessidades, mas apenas
faz o homem enxergar tal necessidade que antes não via. Ora, discutimos,
discutimos e não chegamos a lugar algum, apesar de eu crer piamente que criamos
necessidades, na maioria das vezes supérfluas.
Enfim,
deixei os dois discutindo e vim embora. No carro, fui para casa refletindo
sobre o tema, transferindo o mesmo para a atual vida da Igreja.
A
medida que o atual evangelho sofreu as influências da sociedade capitalista e
marketeira americana, passamos a nos moldar e passamos a viver as necessidades
criadas pelos tais. Infelizmente, ao invés de a Igreja influenciar o mundo, o
mundo tem adentrado as portas das igrejas, com toda a sua fúria mercantilista.
Dizem
alguns, que o homem vive para “evitar a dor e buscar prazer”. Diante disto o
marketing cristão desenvolveu um evangelho que busca suprir tais necessidades e além disto, criou uma séria de outras necessidades que
antes não tínhamos.
As
atuais necessidades criadas são responsáveis por uma séria de frustrações. O
modelo mercantilista que nos é imposto pela atual sociedade de consumo, modelo
este que às vezes não podemos (e não devemos) viver, tem causado uma crise de
desespero nas pessoas, uma corrida desenfreada onde o objetivo final é saciar
uma necessidade que na realidade não temos.
Hoje
em dia, jovens com dezesseis anos de idade estão correndo as clínicas de
operações plásticas em busca das “faces”, “seios” e “barrigas tanquinhos”
mostradas nas “Malhações” e nas “Caras”. Alguns destes até fazem parte dos
grupos de jovens de igrejas evangélicas espalhadas por nosso país.
Dias
desses, um jovem musico conhecido no país, passou algum tempo em uma CTI de um hospital recuperando-se
de uma cirurgia que teve complicações, cirurgia esta, para
diminuir um pouco a barriga. Confesso que olhei para a barriga dele e olhei
para minha e pensei que eu teria muito mais que tirar em se comparando. Mas o
modelo estabelecido, requer as barrigas de “tanquinho”, para que se usem as
calças de R$ 2.000,00 da Daslu que cada vez são mais baixas a fim de demonstrar
mais ainda tais barrigas.
E
quando tal modelo invade nossas igrejas?
Ora,
me lembro dos meus tempos de criança, onde tínhamos um evangelho bíblico e
vivíamos sem “batalhas espirituais”, sem “teologias da prosperidade”, sem “louvores
extravagantes” ,sem “óleo ungido de Israel”, “sem bolos feitos com sal
abençoado”, etc e etc. A medida que alguns enxergaram que poderiam fazer reféns
os cristãos através de “produtos e serviços” oferecidos, estes passaram a usar
tais práticas e hoje grande parte da cristandade não consegue se enxergar
vivendo um cristianismo em que não possa “consumir” tudo aquilo que ofereça prazer e os prive da
dor.
Em
contrapartida comecei a pensar em Jesus Cristo e no modelo que ele deixou, onde em
vez de eu buscar prazer e me esquivar da dor, devo submeter a minha vida a cruz:
(...quem não toma a sua cruz e não segue após mim, não é digno de mim...) A
cruz é o lugar, onde não temos prazer algum e onde estamos sujeitos a dor,
muita dor.
Viver
uma vida ou um evangelho onde a única necessidade seja a minha satisfação
própria e o meu prazer, nos torna sem sentido e sem propósito.
O
Modelo deixado por Jesus é o modelo em que o homem abre mão da sua própria vida
e prazer em detrimento de carregar a cruz. No modelo de Jesus, ele carregou uma
cruz que não era sua, desta feita, deve o homem viver uma vida também para Deus
e para seu próximo, como está na essência dos mandamentos.
Somente
vivendo uma vida, em que a cruz esteja sempre presente nos nossos ombros,
conseguiremos nos abster das necessidades criadas pela atual sociedade. Somente
vivendo uma vida em que a cruz esteja diariamente presente nos nossos ombros é
que conseguiremos servir a Jesus Cristo de uma forma verdadeira e correta, sem
o troca-troca proporcionado pelo atual estado de mercantilismo cristão.
O
mercantilismo na Igreja é um “espírito” que precisa ser exorcizado das nossas
vidas através da cruz, mas não uma cruz que se compra em alguma igreja e se
pendura no pescoço, mas, uma cruz que se carrega nos ombros do seu coração.
Que
Deus nos proteja disto...
Iverson
T. dos Santos
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